Mini Tour Alentejana

Era a noite das bruxas e nós ainda estavamos em Lisboa a tentar encaixar num monovolume quatro pessoas, um contrabaixo, bagagem, microfones, um banjo e uma viola. A nossa sorte foi o bandolinista ter ficado retido num país longinquo por causa duma greve dos aviões, se não tinhamos de o levar para Beja no tejadilho da carrinha.
Saímos tarde de Lisboa mas ainda chegámos a tempo de fazer o som, pois à hora marcada muitos entusiastas do Bluegrass já tinham ocupado os melhores lugares no The Pub – Sports Caffé, ansiosos pelo início do concerto. O verdadeiro problema ocorreu quando os adeptos da farra e da pinga se fizeram anunciar pelos quatro cantos recinto. A gritaria e o tilintar das canecas de cerveja era tal que abafava o som do banjo. É verdade que eram espampanantes e barulhentos, pois fartámo-nos de suar para nos fazermos ouvir, mas o que interessa é que no final da noite levámos para casa o que estava prometido e ainda vendemos alguns cds! O nosso trabalho ali estava feito.
Mas ainda não eram horas de dormir. Fomos convidados para dar um ar da nossa graça num bar ali perto. Parece que o sítio é gerido pela companhia de teatro local e há lá uma festa de Alôine. Todos dissemos imediatamente que sim e seguímos o nosso cicerone rumo ao tal spot, que estava bem composto de foliões semi-maquilhados de Harry Potter. Como era de esperar ficaram preplexos com a nossa chegada, mas rapidamente se renderam ao dingaling. Tocámos meia-duzia de temas, fomos aplaudidos a valer, vendemos mais uma mão cheia de cds e ainda nos ofereceram cerveja. Estava feita a noite. Agora era altura de rumar a Baleizão onde uma caminha fofinha nos esperava. Cortesia super amavel da prima do nosso banjoista.

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Cinco horas depois estavamos de pé. Uns a tentar tomar um duche e outros à procura de café. Mas nada melhor que uma jam para despertar. E foi assim que começou o dia: sentados à porta de casa, com o sol a bater na cara e meia duzia de transeuntes a assistir.
Seriam umas seis da tarde quando estacionámos a carrinha em frente ao 7 Arte. O sítio é simpático e àquela hora estava lotado de seniores de elevado estatuto socio-cultural nas suas habituais reuniões vespertinas, conjecturando entre dentes planos maléficos para derrubar o regime e conquistar o mundo. Nós, os do Bluegrass, não ligamos a isso. Perferimos a companhia das gentes do campo.
Chegada a hora do jantar, fomos presenteados com um petisco à patrão: cogumelos recheados, queijo de cabra e pão alentejano, ovinhos de coderniz com bacon, cabeças de borrego, vinhaça da boa, bacalhau com natas, coca-cola à discrição… um luxo! Já estavamos bons para arrochar em frente à televisão o resto da noite, mas a nossa cantora, que é uma moça responsável disse: co’ a breca, temos um concerto para fazer! Tocar de barriga cheia pode fazer parar a digestão, mas trabalho é trabalho. O que é facto é que subimos ao palco e injectámos 25 clássicos do bluegrass naquelas moleirinhas alentejanas. E não é que eles gostaram??
Foi assim a nossa aventura por terras de além Tejo. Naquela madrugada fizemos viagem de regresso a casa estoirados mas satisfeitos. Estava completa mais uma etapa na caminhada dos Stonebones.

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About stonebonesandbadspaghetti

Os Stonebones & Bad Spaghetti nasceram da paixão pela música improvisada, vibrante e contagiante do Bluegrass. São a única banda de Bluegrass portuguesa (até provas em contrário)
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