Bluegrass Beeg

Em outubro passado visitámos Grevenbicht, uma simpática vila holandesa que fica ali a 40 minutos de Bruxelas e que acolheu pelo quarto ano consecutivo o Bluegrass Beeg, um pequeno festival muito bem organizado por um grupo de entradotes amigos que adoram a boa-vai-ela. Oos Hoes é o spot onde tudo acontece. A casa comunitária onde se pode beber um copo, jogar bilhar, ver teatro e às quartas à noite rasgar os ligamentos numa partida de futesal. Naquele dia o sítio estava reservado ao festival e embora a tarde ensolarada convidasse a malta para junto das relotes de comes e bebes, lá dentro já se amontoava o povo para uma maratona de bluegrass.

O ambiente é bastante descontraído. Não há stress, toda a gente procura passar um bom bocado, pois hoje é sábado, amanhã é domingo e só queremos beber uns copos e ouvir boa música na companhia da família e dos amigos. Embora a equipa de produção possa até trabalhar por amor à camisola, não deixa de ser profissional e bastante competente. Felizmente temos encontrado este tipo de ambiente e gosto em fazer coisas bem em diversos festivais por onde temos passado, tanto em Portugal como no estrangeiro.

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À chegada fomos calorosamente recebidos com uma bebida quentinha e uma fatia de tarte. Demos uma vista de olhos pelas redondezas, cumprimentámos velhos amigos, ensaiámos um pouco e fomos assistir a dois ou três concertos. Subimos ao palco depois do jantar. Fizemos o line-check e tocámos. Sim, não há tempo para fazer sound-check a todas as bandas. Até porque são quase sempre os mesmos instrumentos: guitarra, banjo, bandolim, violino, baixo e duas ou três vozes. Logo, o técnico de som só dá um toque aqui, outro ali e tá feito. Monição? Qual monição, isto é igual pra todos. Não estou a criticar, ainda bem que é assim. Neste tipo de eventos a malta do som tem muita rodagem com bandas de bluegrass e sabe como a coisa deve soar.

O concerto foi cinco estrelas. Não fomos a melhor banda do Bluegrass Beeg, mas fomos uma das mais simpáticas. E digo uma das porque os alemães DreckPack são realmente encantadores. Depois de 50 minutos de dingaling na língua de Camões, Cervantes e Shakespeare para uma plateia realmente atenta, entregámos o palco à última banda da noite. Era hora de relaxar um pouco, beber um copo e socializar por aí. Terminámos em grande farra à volta da fogueira num parque de campismo improvisado onde bebemos mais uns canecos e fizemos novos amigos. Ainda houve jam, cantou-se o fado e o old home place, mas depressa a humidade se entranhou nos ossos e decidimos ir fazer ó ó.

Foi a nossa primeira visita a Grevenbicht e só temos a agradecer a simpatia e hospitalidade de todos os que lutaram para tornar possível este festival. Fomos recebidos como família em casa dos organizadores que fizeram questão de nos oferecer cama, roupa lavada e um caldeirão de goulash bem apuradinho, que serviu de ceia e pequeno-almoço. Um grande bem haja à Anna, ao Guffens e ao Berg! Que continuem com espírito e determinação para fazer crescer e prosperar o Bluegrass Beeg.

 

Nota: Por ordem de atuação, aqui fica um cheirinho de cada uma das excelentes bandas que participaram na quarta edição deste festival:

 

About stonebonesandbadspaghetti

Os Stonebones & Bad Spaghetti nasceram da paixão pela música improvisada, vibrante e contagiante do Bluegrass. São a única banda de Bluegrass portuguesa (até provas em contrário)
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