O nosso verão: Festival do Alpendre

Tudo começou com um convite para actuar num evento privado que um aficionado pela música em geral organiza regularmente no jardim de sua residência, algures na zona de Azeitão. Nós, sem saber bem o que nos esperava, aceitámos de bom grado o chamamento. O evento batizado de Festival do Alpendre já conta com umas nove edições, sempre bafejadas com um farto repasto, convívio saudável, exposições de pintura, artesanato e música ao vivo. Segundo as palavras do organizador, o certame não visa a criação de lucro e tem por objetivo auxiliar e promover os artistas em afirmação.

Para lá dos discretos portões fomos descobrir um singelo quintalinho acolhedor decorado com peças de artesanato, capoeiras e gaiolas, charcos com tartarugas e bancos de jardim, que à hora da nossa chegada já se encontrava bem composto. Todos petiscavam e bebiam ao som dos MaZéi, que deliciavam os presentes com o seu jazz de raiz europeia com sabor a Piaf e a Brel. Enquanto isso, o chef Juan Lopes mostrava como dominar uma mega frigideira de paella, o prato de honra que seria servido assim que terminasse o primeiro momento musical. Dito e feito. Mal a música parou, o povo fez fila para a paparoca, cujo aroma há muito prometia um manjar memorável.

Já de bucho cheio e aproveitando o embalo das mines, lá nos recolhemos para debaixo do alpendre cheios de vontade de mostrar aos presentes o que é isto do bluegrass. A acompanhar-nos no ukulele estava o Simone Verga, um multifacetado artista nascido em Itália mas cidadão do mundo, que veio substituir o nosso bandolinista, temporariamente ausente. Após o habitual set de canções tradicionais e outras originais, foi hora de terminar a nossa prestação com um apoteótico Bella Ciau, interpretado de forma imaculada pelo Simone. O público esse, entrou em delírio e até fez um comboio à boa maneira dos santos populares.

Eram quase onze da noite quando entregámos o palco ao senhor que se seguia: John Fletcher, um guitarrista solitário que apresentou um conjunto de peças para guitarra clássica e jazzística. Um recital suave e introspectivo, ideal para acalmar o ânimo dos festivaleiros, não fossem eles causar estragos. A noite terminou então de forma ordeira e toda a gente regressou a casa de papo cheio, sorriso no rosto e muita música no coração.

Não menos importante que a música, também as artes plásticas, o artesanato e o vinho contribuíram para a magia do Festival do Alpendre. Estiveram em exposição peças de bijuteria de Cristina Sampaio e ilustrações de Amadeu Escórcio. E para os aficionados da pinga, houve a apresentação dos vinhos Casa Dupó, que podiam ser adquiridos a preços de lançamento. Ficámos muito bem impressionados com este Festival do Alpendre. Não vamos voltar porque já tivemos a nossa oportunidade, mas tiramos o chapéu ao organizador da festa por esta brilhante e original iniciativa!

MaZéi

John Fletcher

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O nosso verão: Nofugrass Fest

Depois de nove horas ao volante pelas autovias do país irmão, chegámos ainda antes do nascer do sol à simpática aldeia de Nofuentes. Foi nesta localidade a norte de Burgos que um grupo de aficionados do Bluegrass organizou pelo segundo ano consecutivo um festival dedicado a este estilo de música. É um evento de pequena dimensão que de uma forma bastante eficaz conseguiu envolver a comunidade local e trazer de diversas partes de Espanha os adeptos mais fervorosos do bluegrass para assistir aos concertos, mamar jolas e participar nas jam sessions.

O festival arrancou ao fim da tarde com um workshop de Line Dancing ministrado por um grupo de dançarinos vindos do País Basco, os Yee Haw Country Taldea. Este simpático grupo não descalçou logo as botas à cowboy e fez questão de continuar a dançar em frente ao palco durante os concertos, o que animou ainda mais a noite. Nós abrimos o rol de concertos à hora marcada para um recinto praticante cheio de gente ávida por ouvir música ao vivo. Como o nosso bandolinista habitual teve de ficar no escritório durante o fim de semana, tivemos a honra de contar com a participação do grande João Madeira, um virtuoso músico que já nos acompanhou noutras aventuras. Seguiu-se a Barcelona Bluegrass Band e os Howdy. A maratona de música ao vivo encerrou com uma apoteótica jam session que reuniu em cima do palco os músicos de todas as bandas e ainda mais alguns que vagueavam por ali. Foi um final de noite em beleza que deixou a chama viva, qual tocha olímpica, para a edição do próximo ano.

No dia seguinte saímos de Nofuentes rumo a casa, tristes por não poder ficar mais tempo, mas com o coração aquecido pela simpatia e hospitalidade dos nossos anfitriões, que ainda tiveram a amabilidade de nos oferecer uma lancheira cheia de bocadillos, fruta e Coca- Colas para a longa caminhada que nos esperava. Fazemos figas para que este festival continue a crescer e a semear o gosto pelo bluegrass, não só em Espanha como deste lado da fronteira, onde este estilo de música é praticamente desconhecido.

Nofugrass Fest

Yee Haw Country Taldea

Barcelona Bluegrass Band

Howdy

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O nosso verão: Angra World Sounds

Este ano o nosso verão começou em grande com uma viagem à Ilha Terceira para participar no Angra World Sound, um festival dedicado às músicas do mundo e outras sonoridades da via láctea. Um certame organizado pelos Myrica Faya, o conjunto musical mais célebre e folião do arquipélago. Estes simpáticos e hospitaleiros moços resolveram arregaçar as mangas e pelo segundo ano consecutivo montaram um pequeno festival que certamente terá espaço para crescer e se tornar numa referência no universo dos eventos dedicados à World Music cá no nosso país.

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Nós fomos os primeiros a subir ao palco com a árdua tarefa de chamar para junto do mesmo o tímido público que teimava em ficar encostado ao fundo do recinto. Não tenham medo que a entrada é livre e aqui ninguém morde. Depressa o povo entrou no espírito da coisa e festa continuou com os Enraizarte, um coletivo de gaiteiros e guitarras elétricas vindos de Trás-os-Montes com vontade de pôr o pessoal a pular. O festival encerrou com os Melting Pot, um trio de música irlandesa que fez disparar a venda de cerveja e quase incendiou o recinto, não fosse a chuva que já andava a ameaçar há várias horas ter dado um ar da sua graça.

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No dia seguinte abalámos rumo ao continente com vontade de ficar por mais uns tempos e aproveitar o que a ilha tem para oferecer. Dizem os entendidos que a Terceira é o parque de diversões dos Açores, pois as festividades estendem-se quase ininterruptamente pelo ano inteiro. Entre touradas, romarias e festivais há muito espaço para o bluegrass neste pedaço de terra a meio do Atlântico.

Quem quiser conhecer melhor os desta festa, aqui ficam os links das suas páginas de Facebook para lá deixarem um likezito.

Myrica Faya

Enraizarye

Melting Pot

Angra World Sound

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Isto Afinal É Tudo Mentira

Na época em que o disco compacto aguarda pacientemente o cumprimento de uma sentença de morte há muito anunciada, os Stonebones and Bad Spaghetti decidiram despejar para o ambiente mais quatro temas originais gravados neste suporte decrépito.

As gravações em questão foram iniciadas há quase cinco anos e na altura destinavam-se a fazer parte do primeiro longa duração da banda. Mas o tempo foi passando e o objetivo inicial ficou por cumprir. Justificações à parte, de tudo o que ficou gravado escolhemos o melhor e o que nunca tinham sido posto em disco para fazer parte deste novo EP.

De novo o disco só terá a capa, pois os temas estão mais que batidos no nosso alinhamento e até já podiam fazer parte de um best of dos Stonebones. Como manda a tradição o disco será comercializado pela porta do cavalo e também em formato digital no Bandcamp. Mas para que isso aconteça primeiro ainda temos de finalizar as misturas e mandar o master para a fábrica. Fiquem atentos!

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As Sessões de Bluegrass de Lisboa – o regresso

Desde o início do ano que estão de regresso ao Fábulas as saudosas sessões de bluegrass lisboetas. É um encontro informal entre aficionados deste estilo de música, e não só, que acontece todas as primeiras quintas feiras de cada mês.

A próxima jam session é já amanhã e o arrebimbómalho começa às 21h. O Fábulas fica na Calçada Nova de São Francisco no Chiado. A entrada é livre para músicos e ouvintes. E quantos mais melhor!

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História do Bluegrass em Portugal – Vol 2

Na sequência da nossa primeira publicação sobre a pseudo-história do Bluegrass em Portugal, surgiram comentários sobre a importância de um tal Mário Ribeiro, esse sim, um dos verdadeiros pioneiros deste estilo de música no nosso belo pais. O sujeito em questão deve ter sido um dos primeiros a tocar banjo de cinco cordas como deve de ser e isso pode ser comprovado no vídeo anexo que um dos nossos leitores fez o favor de enviar. Vemos então que em 1990 Mário Ribeiro, acompanhado por um guitarrista de momento incógnito, foi à televisão fazer um “Tributo ao Scruggs”.
Esse foi sem dúvida um dia importante para o Bluegrass nacional, mas infelizmente a emissão não deve ter tido grande influência junto do público, pois seriam precisos quase vinte anos até surgir uma banda inteiramente dedicada a este estilo de música. Ou será que foi mesmo assim? Fica a ressalva que estamos a contar esta história completamente de improviso e contamos sempre com a participação dos nossos queridos leitores para nos ajudarem a acrescentar mais um parágrafo. Portanto, quem tiver mais lenha para juntar a esta fogueira, por favor faça-se ouvir.

 

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Alex FM – take 2

No ano passado publicámos um texto sobre a estreia radiofónica dos Stonebones & Bad Spaghetti na terra dos cangurus, mas por qualquer razão desconhecida ou força astral superior, o artigo desapareceu sem deixar rasto. Por isso voltamos a partilhar um excerto do programa The Grass is Blue, da autoria de Pappy K, que dedicou parte da sua emissão aos SBBS. Este programa é transmitido regularmente pela Alex FM, uma estação comunitária que emite em frequência modelada a partir do outro lado do planeta. Um grande bem haja ao Pappy K!!

The Grass is Blue @ Alex FM

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Escapadinha Musical

A filial açoreana dos Stonebones & Bad Spaghetti, representada regionalmente pelo violinista Carlos Fonseca, vai actuar este fim de semana no arquipélago.

Para auxiliar o Carlos nessa árdua tarefa a sede enviou de urgência uma comitiva de dois músicos, André Dal e Hildebrando Soares, que levam na bagagem a vontade de realizar uma tournée inesquecível. Vão só dois porque o orçamento é escasso.

Serão dois concertos no Peter Café Sport, hoje e no sábado. O dingaling começa às 23 horas locais e termina quando o André for fazer ó ó. Na sexta feira é uma incógnita, se bem que há rumores de que a banda poderá actuar na ilha do Pico, em local ainda desconhecido.

Seja como for, esperamos que os nossos fãs açoreanos compareçam para apoiar a banda nesta escapadinha musical pela região autónoma dos Açores!

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História do Bluegrass em Portugal – Vol 1

Há muito que me apetece fazer um levantando dos artistas portugueses que em tempos gravaram canções, que de uma forma ou de outra, roçam a sonoridade e atitude do bluegrass. E há alguns exemplos disso na história da música popular portuguesa dos últimos trinta anos.

Hoje resolvi escolher os Mendes Harmónica Trio.  Lembro-me bem deste pai e suas duas filhas a tocar no Natal dos Hospitais e noutros programas de variedades tão em voga na televisão dos anos 80. Eram sempre apresentados como grandes campeões da harmónica, pois arrecadavam os primeiros lugares em competições pelo mundo inteiro. O seu repertório ia do erudito à pop, do choro ao fado e, claro está, também bluegrass.

Senhoras e senhores, meninos e meninas, pelas gaitas dos Mendes Harmónica Trio: Orange Blossom Special!

 

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Terra Pura Radio

Há uns meses recebemos o amável convite de Luís Rei, o mentor do site Crónicas da Terra e da rádio online Terra Pura, para participar num podcast dedicado à música tradicional dos apalaches. Resolvemos então relembrar essa hora de amena cavaqueira onde se discutiu o impacto que o Bluegrass não teve em Portugal e a nossa cruzada enquanto únicos e oficiais pregadores desta música em território nacional.

Já agora façam o favor de acompanhar as publicações e os podcasts desta malta que se esforça para divulgar e promover o melhor que se faz na world music, nacional e internacional >> Crónicas da Terra

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